A escrita não é um refugio, é mais uma porta escancarada de usina, violentada pela natureza das àguas que de tanto contidas, um dia-grito explodem de onde sempre estiveram: é que de repende não se tiveram mais, sabe? E foram pra onde têm que ir mesmo, com a força de si, do lugar de onde sempre vieram, vindo, vindo que vindo aguas, chuàààà. Com um estrondo, são enchente, diluvio, catàstrofe. Inundam-me “-Aqui estamos! Estàs. Isto é quem és!” TCHHAAAAAAAAAAAaaaaaa…
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*suspiro* Tudo em mim sempre começa assim. Aquele fervor ebuliçante, aquela quentura arredia, aquele tremor e sorriso molhados. Làgrimas, risos, não importa, é o começo. O duro é o continuar. Como era o ditado? àgua mole em pedra dura… Ah, sim. A saida triunfal é se lembrar que estas àguas estão sempre em movimento. Discordo que o movimento seja sempre o mesmo. Mesmo paradas, o que sei é que circulam um fundo de detritos desconhecidos que, certamente, um dia, virão à tona. Mas nem é isso o que espero. Espero mergulhar là, vou tchi-bum! de ponta, no corpo de àgua escuro, sombrio tocar o fundo mole, pressão da àgua nos timpanos jà explosão da mente, mesmo se sempre e so’ iminente, là. Cristo, isso é auto-destruição ou auto-conhecimento?
E´por isso que A pessoa que mais me comoveu nessa vida foi seu Pedão, guia da terra e de caminhos pela rochas até o topo do momento quando o riozinho se entrega ao vazio la’ do alto pra fazer piscina profunda, natural. Depois das caminhadas, das descobertas, o barulho continuo das cachoeiras era o mesmo relaxante de seu silêncio tranquilo sentado nas beiras, lavando e trazendo uma coisa de cada vez, olhos lucidos vindos do centro do seu respeito ao sempre ao redor.
A borboletinha amarela veio de longe, trepidou, pairou, pousou ao seu lado. Mansinho, cena lenta, ele para, olha, oferece sua mão: é seguro estar ali. Chapeuzinho cheio de seus cachos, pele encharcada de sol, seu andar decidido passo à frente era pra observar a trilha dos marimbondos e pegar Baru pras moças, era pra não atiçar a mata e, de notinha, preparar o fogo, montar sua rede e olhar o brilho das estrelas – o mesmo brilho silencioso de estar ali gentileza atenta às estorias de tudo – sem duvidar.
No jardim dianteiro da casa, os verdes certamente manifestam em direção à luz, as pêras amadurecem e as flores estão tons de transmutação. As nuvens cheias de Terra passam sem chover, e esta, ainda I. dentro, escreve letra-por-letra-màquina-dedos gastando nao tinta; teclas. Saudade do papel. Em branco. Salve -
I.