Au livre

“Tu es celui qui écrit et qui est écrit” (Edmond Jabès)

O mar, o amar. A maré. Amar é um mar de sentidos 29 octobre 2007

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(Oceano Atlântico, costa do Brasil)

Amar é chover? Quem ama chove. Quanto à chuva, eu diria – e digo – que chuva é Amor. Se chuva é Amor, chover é amar? Quem chove? Alguém responderia – e responde – a chuva, uai. Em inglês, se diz “It rains”- it sendo terceira pessoa indefinida – enquanto no português temos o verbo, palavra-ação, agindo por si só. Chove. Chove chuva, alegrias, abundância, chove! Enche o copo-pessoa até transbordar gratidão. Escrevi o que segue durante uma excursão exploratória en route ao Nordeste

“Lua Nova

Ontem vi estrelas por entre nuvens que… penduradas na escuridão, esperavam amanhecer para se derramar de novo sobre as folhas e rios e passos e medos daqueles que também esperam o que sempre será. Apesar de tudo, tudo será, num pedacinho escuro de imensidão e infinitude. Ontem estrelas, poucas mas únicas, hoje o Sol, morno e constante, molhando a pele de cor e matando a sede de Vida e calor de todos os seres vivos. Estamos carne, espinhos, estórias, visão, memórias, paixão, o sim e o não de cada curva, trilha incerta e pedra no sapato. Sapato velho, de muitas jornadas, sapato desgastado de chão e poças fundas de água embaçada – a mesma água cristalina de chuva, chuva que é rio, rio que é mar, mar que é oceano, oceano que cobre terra, terra que é Terra, Terra que é mãe. Tudo sempre se renova. Tudo sempre será nova”

O mundo é movimento repleto destes reflexos. Há como se ver, todas as suas partes, por toda parte. Como água, fluimos, nutrimos e refletimos também; refletimos o que vemos e acerca do que vemos. Indo ao outro e voltando a si mesmo, acrescentando à idade, Profundidade.

Rios ao mar são apenas um exemplo das metáforas na natureza que nos ensina a todo instante a não nos admirarmos que deveras somos parte de tudo. Árvores vivem aí, pulmões do mundo como as algas, sementes corajosas ramificando em muitas direções, aprofundando raízes, exalando beleza, dando frutos, recomeçando. Pássaros se aventuram cair pra voar, abram asas, vão ao alto, esperam o vento, vão com ele, planam, voltam, pousam, cantando sempre livres sua música única, livres.

Como nós mesmos? Ou nós como tudo, o todo ao redor e aqui dentro, aqui – vivendo como esse… “Eu”, ou “o outro”? E et cetera. Tenho um amor que dizia, como o poeta Jellaludin Rumi, que falar do “outro” quando se fala de Amor é contradição. Rumi escreveu do amado e do amante como um só; um começa onde o outro termina – e vice-versa. Disse que amar é como ver mundo através de um rubi: tudo é a visão através do rubi, e vermelho.

Os rios, quando chegarem ao mar, conterão pedacinhos da terra dos lugares por onde passaram. Conterão as nuvens-água-de-rio que se refletiram do alto e derramaram sua própria substância de volta a si mesmos. Correrão ora rápidos ora tranqüilos para, por fim, se tornarem um só. Ao fim, não será o fim. É verdade que lá, não serão mais rios. Serão outro. Serão Mar. Mar feito de todos eles Todo dissolvendo identidades, idênticas idades individuais, integrando, sendo — ainda em movimento, ainda constante, ainda contendo, mas agora, ainda mais, agora mistério, agora profunda idade, mar.

Ir ao mar, ir amar, guiar; guiar ao mar.

Fim de tarde no Nordeste brasileiro, Fortaleza, Ceará. “Covarde! Fim às partes! Fortaleza! O que é seu, será.” Sentada na areia, completamente enamorada, muda, silêncio gritante de angústia sem palavras, deixei meus olhos sobrevoar a massa viva do mar. Pensei ao vivo, implorei por dentro, “Qual é a vossa lição????” Além da linha visível, movimentos invisíveis se faziam sentidos aqui. Sentidos e asas – parti com estes! seguindo e encontrando outros horizontes dentro de si mesmos. Em momentos de presença maciça por toda parte, de observação do Todo-partes, formulo perguntas acerca das lições a serem aprendidas. O que nos mostra o mundo? Ali, a maré constante convidou-me a desvendar seus mistérios. Qual é a vossa lição, vossa constante, sua constante lição, maré. O mar é. Que estórias tem pra contar? O q conta da História? Qual é A Lição? A maré levantou-se alta em fúria e me retirei. Muitos me haviam alertado do perigo para uma jovem moça só por ali àquelas horas. Só que eu não estava só. Para mim, o perigo real seria um dia seguinte – ainda – sem resposta, diante de um céu azul de tão aberto e uma folha branca de tanta possibilidade. Sempre as folhas brancas, o céu e pensamentos. Penso, logo minto? Há que SER Verdade. Não pensar mais. Nem menos. Ser. Fluir. Continuar. Persistir. Receber, entregar, se retirar e voltar e voltar e voltar. Voltei. Debaixo de meu corpo, grudada à toda superfície cutânea que a tocava escapando ligeira por entre os dedos voando com o vento formando dunas e desertos, a areia. Prova do tempo. Em Fortaleza. Fortaleza! É forte a Beleza. E Tudo será. Sssshhhh… Sssshhh… Sssshhh…. Vuuuuuuuuu…… Vuuuuuuuuuuu… Sssshhhhhhhh… Ssshhhhhhhh…. Sssshhhhh….

SEA (mar).. SEE (veja).. SEA.. SEE.. SEA

. . .

Ir ao mar, ir amar, guiar; guiar ao mar. Quem guia ao mar de sentidos, guia o amar.

I.

 

Un AMore di dInamite 23 octobre 2007

Classé dans : déclarations d'amour — aulivre @ 23:03

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“Io?”, mi chiedi quando ti chiamo, e ti cerco con gli occhi. Ora, sono io a dire: “Io?”. Si, io sono questo qui. Esattamente come mi hai disegnato. “Sono una dinamite”, scriveva Nietzsche già sull’orlo della follia. Ma quale sarebbe, precisamente la mia follia? Aprirmi le acque attorno, provare ad abbattere le barriere e i muri che mi circondano. Fare qualsiasi cosa per trovare il mare, per trovarmi il mare che ho dentro di me, sotto di me, sopra di me, attorno a me. A-mare. Io, Alessandro – sì, perchè nascondere il mio nome? – , sono una dinamite. Una dinamite d’amore. Un amore di dinamite.

AM

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O todo que se passa por nossos braços é morno, é da gente, é completo, é fé-liz. Não hà momentos de pretensão nem medo do momento pois este aqui é o que hà. A poesia tece a trama interior, despindo até mesmo a mais breve e muda hesitação: e esta ultima…

não està.

Quando estamos, juntos, o tempo flui no espaço que ex-(ins)iste ao surgir e des-aparece entre os corpos… quais nossos – e nus – encontram lugar sem pensar e razão… (sem deixar) de ser.

Impossivel é deixar de ser quem se é. E se pode. Ser. Assim: “aaah, sim…”

Aaahh, mas se pode… E ainda bem; que aaahsim e juntos, é assim que se pode ser quem se é:

.

Livre.

I.

 

Isto é quem és 21 octobre 2007

Classé dans : Textes — aulivre @ 23:28

A escrita não é um refugio, é mais uma porta escancarada de usina, violentada pela natureza das àguas que de tanto contidas, um dia-grito explodem de onde sempre estiveram: é que de repende não se tiveram mais, sabe? E foram pra onde têm que ir mesmo, com a força de si, do lugar de onde sempre vieram, vindo, vindo que vindo aguas, chuàààà. Com um estrondo, são enchente, diluvio, catàstrofe. Inundam-me “-Aqui estamos! Estàs. Isto é quem és!” TCHHAAAAAAAAAAAaaaaaa…

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*suspiro*  Tudo em mim sempre começa assim. Aquele fervor ebuliçante, aquela quentura arredia, aquele tremor e sorriso molhados. Làgrimas, risos, não importa, é o começo. O duro é o continuar. Como era o ditado? àgua mole em pedra dura… Ah, sim. A saida triunfal é se lembrar que estas àguas estão sempre em movimento. Discordo que o movimento seja sempre o mesmo. Mesmo paradas, o que sei é que circulam um fundo de detritos desconhecidos que, certamente, um dia, virão à tona. Mas nem é isso o que espero. Espero mergulhar là, vou tchi-bum! de ponta, no corpo de àgua escuro, sombrio tocar o fundo mole, pressão da àgua nos timpanos jà explosão da mente, mesmo se sempre e so’ iminente, là.  Cristo, isso é auto-destruição ou auto-conhecimento?

E´por isso que A pessoa que mais me comoveu nessa vida foi seu Pedão, guia da terra e de caminhos pela rochas até o topo do momento quando o riozinho se entrega ao vazio la’ do alto pra fazer piscina profunda, natural. Depois das caminhadas, das descobertas, o barulho continuo das cachoeiras era o mesmo relaxante de seu silêncio tranquilo sentado nas beiras, lavando e trazendo uma coisa de cada vez, olhos lucidos vindos do centro do seu respeito ao sempre ao redor.

A borboletinha amarela veio de longe, trepidou, pairou, pousou ao seu lado. Mansinho, cena lenta, ele para, olha, oferece sua mão: é seguro estar ali. Chapeuzinho cheio de seus cachos, pele encharcada de sol, seu andar decidido passo à frente era pra observar a trilha dos marimbondos e pegar Baru pras moças, era pra não atiçar a mata e, de notinha, preparar o fogo, montar sua rede e olhar o brilho das estrelas – o mesmo brilho silencioso de estar ali gentileza atenta às estorias de tudo – sem duvidar.

No jardim dianteiro da casa, os verdes certamente manifestam em direção à luz, as pêras amadurecem e as flores estão tons de transmutação. As nuvens cheias de Terra passam sem chover, e esta, ainda I. dentro, escreve letra-por-letra-màquina-dedos gastando nao tinta; teclas. Saudade do papel. Em branco. Salve -

I.

 

Il mare dentro, nuovamente 21 octobre 2007

Classé dans : Textes, dialogues — aulivre @ 16:38

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Che strano, scrivere nello stesso posto (un blog) ma da un posto differente, nello stesso tempo. Sono a mille chilometri piu’ a sud di dove mi trovavo – ci trovavamo, parlo sempre al singolare-plurale, la persona dell’alleanza – neanche un mese fa. E sono, ancora, e sono qui. E siamo, ancora, e siamo qui. Sono, sono piu’ vicino a casa, se posso dire cosi’: tutto qui mi sembra cosi’ familiare. La forma degli edifici, le maniere distratte della gente, l’umidità che viene direttamente dal mare, il suono del mare, la sua vista, il fatto di averlo praticamente accanto a me, quando voglio. Nostalgia del mare, avevo, l’ho scoperto qui. Nostalgia del mare che, in fin dei conti, non ho mai amato alla follia. Quando ero piccolo-piccolo, mi ci portavano, in spiaggia, e non ci pensavo piu’ di tanto. Da adolescente, non mi piaceva per niente, perchè, in fin dei conti, la spiaggia rappresentava ai miei occhi tutto quello che detestavo, che non amavo, che non mi piaceva perchè fondamentalmente era opposto alla mia natura di essere timido e introverso, in fondo: i rumori della gente, l’esposizione dei corpi secondo il principio della perfezione della forma, l’imperativo, corrente tra gli adolescenti, di socializzare a tutti i costi con le ragazze presenti, e dunque di fare qualsiasi cosa utile ad attirare la loro attenzione. Ed ecco, in fin dei conti, quel che non amavo del mare: il suo contrario, o meglio, il suo elemento prossimo. La spiaggia. Posso capire ora, dunque, perchè non mi è mai piaciuto il mare! Era la spiaggia, davvero, a non piacermi, perchè in essa, il mare stesso si perde, si dimentica ed è dimenticato. Ricordo che a chi mi chiedeva perchè non mi piacesse “andare in spiaggia”, io rispondevo sempre: “Eh no, mi piace andare al mare, ma preferisco andarci al mattino presto, quando non c’è nessuno”. Quando ancora puoi ascoltare la musica delle onde, quando ancora puoi sentire l’odore dell’alba che ha abbandonato la spiaggia, quando ancora la spiaggia stessa, nient’altro è che un prolungamento della forza delle acque sulla terraferma.

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(Mar Jonio, Italia, aprile 2007)

Ancora oggi, in effetti, la penso cosi’: amo andare al mare, andare verso il mare, andare a incontrare il mare al mattino presto. Amo incontrare il mare in quei momenti che la gente, in generale, crede meno produttivi, perchè c’è poco sole (al mattino presto), o magari perchè fa freddo (in inverno). Negli ultimi mesi, ho incontrato il mare poche volte. Poche volte, certamente, che tuttavia restano essenziali: in primavera, a casa, in Italia, quando volevo fare un regalo alla persona che amo. In Giugno, di nuovo a casa, con la persona che amo, perchè volevo tanto che vedesse il mio mare, perchè da esso vengo, e non solo da una terra. E poi qui, di nuovo, ho rivisto il mediterraneo, che mi ha ricordato il mio mare, pur in una condizione non ottimale: a Barcellona, nonostante quel che dicano intellettuali e architetti, le acque sono fagocitate dalla città e dalla terraferma. Eppure, quel che stranamente mi è accaduto qui, è che ho sentito di nuovo la presenza del mare, del mio mare (d’ora in poi non diro’ piu’ “sono italiano”, “sono europeo”, ma “sono mediterraneo”. Sono il mediterraneo, o una sua piccola parte…). L’ho sentita per la terza volta, in pochi mesi. Credo che non sia un caso che una persona, lei, tu, I., fossi sempre con me, in tutti e tre i casi. Ma questa presenza, mi ha fatto sentire una nuova presenza a me stesso, che è qualcosa di profondamente diverso dal senso di appartenenza. Avere il mare dentro, significa essere presenti a se stessi nel movimento.

AM

Continua

 

Voy a contarte una historia. 10 octobre 2007

Classé dans : Textes — aulivre @ 14:48

Hace años, cuando era niña – sonrió… Era hija. Algún día tal vez pueda contarme todo a mi misma. Pero hoy está todavía demasiado cerca. Siete o ocho años, llena de curiosidad – pórtate bien… – …la cara ojos grandes todavía no detrás de anteojos. Quería decírselo. No tengo nostalgía. Tengo illustraciones. Artículos. Estorias. Mesa. Dibujos. Tenía puesto mi blusón de dormir y estaba inclinada dibujando sobre a mesa. Sin prisa. No tengo palabras. Impossible volver conmigo. No quiero abrir las puertas de un infierno.

Hace calor, pero el viento revuelve mis cabellos, el son de la lluvia queda marcado en mis oídos. Tranquillo. Son. Brama dentro de mí indagaciones acerca de la amistad. Mi valor, lágrimas, el amor. La simulación no vale. Cuando si infringe, uno queda marcado. La decepción cae sobre uno y cubre ese instante que es la eternidad. Hay D/S y grito, y salgo al exterior para jugar entre los árboles y las gallinas, en cada espacio en blanco de una página que significa recomenzar.

Sudor. Susto? Claro que sí. Tuve miedo. Mucho miedo. Mas amaba más que todo. Mismo si él podía, armado, arrancarnos las venas en cualquier momento. No le extrañe. Que me veas por dentro. ¡Mi D(io)S! Descúlpeme. Nos interrogaron a fondo, preguntaron cómo y poraue, le comunicaron en los periódicos con todos sus negritos y exageraciones; éramos-fuimos “puppets”. Presas. Marinadas, observadas, comidas. Es claro dejaríamos de serlo y yo habría de dedicarme a no ser brasileña adónde la vida me permitiría llegar. Comprendas tú o no. Así se hizo por aquí, por allá. Infortunios, golpes, amparos, suerte, sucesso, lecciones, lenguas, sigilos, Francia, Portugal, España, por mí. Para mí.

Bañada en sudor, sigo muriendo cada segundo que pasa, corazón atravesado en el pecho batiendobatiendobatiendo – trata de leer!… Y sigues levantando las orejas y los dedos que se mueven más uno intento de tocar coerencia en el piano, en su vida. Vida que no entiendes mas que sigues viviendo, no sabías POR QUE. Y ya, como siempre, lo sabes. Todo es por las páginas en blanco: así. Así. Y sin embargo somos buena gente. Podemos sonreír.

Que el mar se abra refrescante, engulla y no vomite los hipócritas. ¡Mi Vida! Sigo muriendo. Quizás hacia climas cada vez más benignos. Ojalá, mamá, ojalá.